Em um lugar itinerante, a realidade_ficção, de vocabulário desconhecido, transita numa interpretação a transgredir limites. Suas andanças apreciam a retórica das incompletudes. Nessa fonte de saber incomum, um percurso eremita revela cenários de novidade.
Uma instável harmonia acontece na
aproximação com a estética dos anúncios, com suas considerações ilegíveis, não
fora a percepção fugidia de um talvez. Quanto ao discurso dessas
irregularidades criativas, as múltiplas versões apreciam o exílio na palavra
sem nome. Sugerem colagens ao roteirista de ficção, oferecendo internações na
liberdade das ruas.
Essa verdade de caráter difuso
também pode se encontrar na razão desmerecida; seu viés de caricatura a
perseguir horizontes por vir. Na perspectiva caótica das crises há a busca
pelas origens; a tradução e relação com esse devir meteórico reivindica uma
abordagem de terapia aprendiz, pois a verdade desconsiderada por ficar visível
por brevíssimos instantes.
Não seria pouca coisa se
alimentassem o cotidiano com seu devaneio, com as peripécias de andar sobre as
águas, de ultrapassar muros e levitar sobre as cidades. Achados na alquimia da
raridade precursora, em que um agora inesperado esparrama vestígios de algo
mais.
Seu caráter de barquinho
solitário em águas desconhecidas é visionário, inventa territórios, linguagens,
divulga absurdidades ao redor. Ao mencionar coisas sem sentido, se debate em
tratativas com línguas estranhas para si mesmo.
Uma aproximação com a lógica
desses contextos aprecia uma terra de ninguém, onde alguém se aventura navegar.
A vastidão dessa região inexplorada, virgem e sem fronteiras, reverencia a
magia dos desassossegos a desalojar certezas e a profetizar signos. Sua aptidão
criativa desconstrói cercas, reinventa aquilo que se tinha como definitivo. Em
meio à tempestade, seu viés de retórica mal formulada divulga sensações de
terra à vista.
Na pessoa fora de si, o
deslumbramento precursor antevê reflexos estranhos diante do espelho. A esse
apreciador de atitudes ensimesmadas, em que a natureza exercita seus códigos
sagrados, a mensagem desconhecida aparecer suspeita. Seu dialeto reinventa
discursos e se faz ameaça ao mundo conhecido.
Um fenômeno deste tipo aprecia
brincar na desconstrução das convicções. Sua feição de aspecto improvável
indica uma arquitetura_esconderijo a proteger raridades. Seus rituais preferem
o êxtase fugaz para denunciar suas origens.
Na pessoa assim estruturada é
comum a sensação protagonista em uma história que não lhe pertence. Esboço de
um íntimo labirinto aos enfrentamentos entre o antigo e o novo eu. Sendo algo
nunca visto, esses eventos permitiriam múltiplos pretextos, não fora a
originalidade da autoria.
Nuance de epistemologia marginal
a se desdobrar em um refúgio subjetivo. Lugar onde o sujeito rascunha seus
inéditos sobre zonas inesperadas, afastadas da percepção usual. O convívio com
essas fontes da singularidade reinventa o papel existencial do filósofo
clínico.
Os manuscritos exilados na
estrutura do olhar podem servir para decifrar a transição
pessoa_não_pessoa_pessoa.Os jogos de linguagem assim dispostos costumam ser a
medicação refugiada na própria crise, uma vivência contraditória e ainda sem
noção de suas buscas.
As tempestades apreciam encontrar
esse estrangeiro na própria casa. Um endereço provisório a insinuar
reconstruções. A reescrita desses eventos desconhecidos oferece ensaios de
múltiplos propósitos; associa realidades extraordinárias numa estética de
transbordamento; parece querer encontrar um filósofo clínico para uma tradução
compartilhada do seu dicionário de absurdidades.
*Hélio Strassburger in “Filosofia Clínica – Anotações e reflexões de um consultório”. Ed. Sulina/Porto Alegre/RS. 2021.
**Instagram: @helio_strassburger
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