"La razón poética – Rosalía de Castro e María Zambrano”
Apresentação da obra da Prof. Dra.
Arantxa Serantes
Uma apresentação ou prefácio em
qualquer livro, por si só, cumpre vários papéis, dentre eles o destaque do seu conteúdo
e a maestria da autora. É o caso da obra: La razón poética – Rosalía de
Castro e María Zambrano, de autoria da filósofa e escritora Arantxa
Serantes (Galícia), publicada pela editora Literatura Abierta em 2022 na
Espanha.
Entre surpreso e agradecido pelo
convite, busquei saber mais sobre essas três mulheres extraordinárias: Rosalía,
María e Arantxa, para tecer alguns apontamentos, tendo como referência seus
originais (resultante de sua tese de doutoramento em Filosofia), um pouco
antes de seguirem ao prelo. O texto a seguir trata dessa apresentação bilíngue
da obra, ainda sem tradução ao português brasileiro (2026).
Apresentação:
"O texto de Arantxa Serantes
convida a um encontro da poesia com a filosofia. Ao localizar sua fonte de
matéria-prima na interseção da poética de Rosalía de Castro com a reflexão de
María Zambrano, compartilha um diálogo em sintonia com essas mentes brilhantes.
A menção dos desdobramentos existenciais desses manuscritos, destaca a
singularidade expressiva dessas mulheres escritoras.
Sua abordagem realiza um
agradável passeio pelos bosques da imaginação criativa, onde se encontra a
produção literária e filosófica de Rosalía de Castro e María Zambrano. Essa
relação acontece na perspectiva de uma ‘razão poética’, por onde é possível identificar
seus traços comuns. A autora compartilha uma atividade prática-reflexiva, tendo
como fonte de inspiração sua pesquisa histórica, a qual reapresenta um diálogo
entre poesia e filosofia. Seus manuscritos destacam o alcance da estética
literária, a qual atinge cada leitor de acordo com seu horizonte de
possibilidades.
A tese da ‘razão poética’
descrita por Arantxa Serantes, se oferece em uma chave de leitura: “La poesia
piensa como no puede hacerlo la filosofia, la poesia conoce como no puede
conocer la filosofia. La filosofia piensa metodicamente, la poesia empaticamente;
la filosofia onoce lo universal, la poesia particular. Ambas son distintas,
pero por distintas, complementares. Ambas aman y buscan la verdade por caminhos
distintos que, al final, siempre se unen y encuentram, porque la verdade, em su
origem, es una. (...)”.
Nessa perspectiva a autora
desenvolve o conceito de ‘razão poética’ de María Zambrano, ao oferecê-la coo
um método apto ao acolhimento da singularidade em sua circunstância histórica.
Nesse caminho descritivo, analítico, reflexivo, indica o fato desse período no
final do século XIX ao começo do século XX, onde se coloca em dúvida a poética
na relação com a metodologia científica, resultando em práticas sociais
desumanizadoras. Esse pressuposto se insere nos dias de hoje, com a avalanche
tecnológica ocupando espaços do fenômeno humano, nem sempre de acordo com sua
melhor condição existencial.
O método compartilhado nessas
páginas, oferece uma percepção sobre a ótica de ‘um duplo nascimento’, ou seja,
um estabelecido pela natureza e outro com base no devir existencial. A ideia de
uma estética filosófica, a partir da expressão de Rosalía de Castro e María
Zambrano, se oferece em um enredo de múltiplas faces, ora compilado pela
maestria de Arantxa Serantes em sua tese de doutoramento. Ao compartilhar esse
encontro de singularidades, se resgata uma produção a repercutir sua poética em
nossos dias.
Nesse sentido se destaca o olhar
da pesquisadora atenta, para além da classificação que separa uma obra e outra,
em uma reescrita alinhada com a identificação da unidade na diversidade. Seus
apontamentos descrevem ingredientes singulares para tratar de temas
universais. A tese elabora uma
escritura, tendo como propedêutica o encontro da poesia com a filosofia. Ao
ressignificar a inquietude existencial como uma via de acesso a farmácia
subjetiva, se revela uma busca pelo autoconhecimento e desenvolvimento pessoal,
em uma integridade discursiva de onde Rosalía de Castro, María Zambrano e
Arantxa Serantes, brotam de uma mesma fonte de inspiração.
A autora contribui: “(...) El
parentesco entre las almas de Rosalía e Zambrano parece muy estrecho, pues
ambas compartieron experiencias vitales y preocupaciones similares, expressadas
em obra de naturaliza linguística y conceptual distintas, más hermanadas em su
sensibilidade, expresividad y temas vitales por ellas tratados. (...)”.
Com a ‘razão poética’ é possível
acolher e superar as vivências adversas, encontrando na expressividade
literária e filosófica, uma abordagem para elaborar as dores da alma. Trata-se
de emancipar o território subjetivo em busca de uma desconstrução dos exílios e
percalços existenciais. A possibilidade de um renascimento pessoal diz respeito
a superação das dificuldades e limites oferecidos pelo cotidiano. O tema recebe
um tratamento diferenciado nessas páginas, onde se destaca o olhar atento e a
escrita sensível da filósofa ao traduzir seu encontro com Rosalía de Castro e
María Zambrano, como uma interseção de originalidades.
O texto ora ressignificado em
livro, compartilha um saber com sabor de poéticas da singularidade. Seu teor se
inscreve como uma nova disciplina no horizonte da estética filosófica. Seu
discurso existencial realiza um convite a uma hermenêutica compreensiva, por
onde qualifica o diálogo intersubjetivo, essencial ao processo de abertura e
acolhimento do fenômeno humano. Suas páginas, ao indicar uma íntima relação da
poesia com o pensamento, elabora um convite para expandir as fronteiras da
subjetividade. Em ‘um método-caminho’, reapresenta um humanismo que transpõe os
muros da academia para encontrar o mundo da vida.
Ao tecer suas percepções e
reflexões sobre essas extraordinárias mulheres, se descreve um universo que se
expande pela interseção da realidade com a ficção. Mais que uma distinção entre
filosofia e poesia, se refere as semelhanças dos manuscritos de diferentes
épocas, bem assim o território de onde surgiram. Os rastros contidos nas
páginas de Rosalía de Castro e María Zambrano, proporcionam a identificação de
um discurso transcendental.
O fato de se encontrar essas
mulheres escritoras nesse período histórico, desafia o status quo,
gerando um espanto e desconcerto de se ter um lugar de destaque para a alma
feminina, em uma área de hegemonia masculina. A representação filosófica deste trabalho se
traduz em uma poética reflexiva ao exibir suas fontes de inspiração teórica,
por onde a autora conduz um agradável passeio pela filosofia contemporânea.
Arantxa Serantes compartilha uma
narrativa protagonista em íntima relação com a poética e a filosofia. Sua obra
provoca a sensação de que, ao mergulharmos na poesia de Rosalía de Castro e na
filosofia de María Zambrano, estamos em sintonia com uma fonte de inspiração da
alma Galega. A singularidade plural dessas páginas, ao descrever uma via de
acesso a poção de infinito em cada um, elabora uma matéria-prima ao uso poético
da racionalidade."
Desejo boas leituras e
releituras!"
Aquele abraço,
hs
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